
19/11/2007
Prá Você!
Conhecer o público, entendê-lo, oferecer conteúdo que seja, para ele, relevante e interessante sempre foi, ou deveria ser, a preocupação fundamental de jornalistas e empresas de mídia. Na comunicação tradicional falava-se em público-alvo. Depois da web, os critérios chegaram ao nível individual. Junto com a hipermidialidade e a multimidialidade, a personalização é um dos principais fatores que diferenciam a Internet de outras mídias.
No comércio, conhecer o cliente e seus hábitos de consumo é uma estratégia que já alcançou níveis elevados de sofisticação. Aquele cartãozinho de fidelidade, que te dá descontos e muitas outras vantagens, funciona como um rastreador. Ele permite saber o que, como e quanto você costuma comprar e fornece um excelente mapa para que as vendas sejam direcionadas.
Em lojas virtuais, há sempre no canto da página um Box com produtos semelhantes, acompanhado por algo do tipo "quem levou esse produto levou também este". Isso são "recomendações sociais", presentes também em outros serviços. O Lastfm, por exemplo, cria rádios personalizadas com base nas músicas escolhidas e naquelas que outros usuários, que também gostam dos mesmos artistas, escolheram.
Fazer o mesmo com as notícias, o produto jornalístico, já é uma preocupação dos principais grupos de mídia do mundo. Muito embora as iniciativas ainda engatinhem. Elas estão baseadas atualmente em escolhas de áreas feitas pelos próprios leitores. As pessoas têm a possibilidade de escolher se querem receber no e-mail notícias sobre economia, esportes ou cultura.
Em O Globo Online, existem três opções de página inicial: Rio, São Paulo e Brasil. Já o Newser oferece um critério de escolha baseado no "peso" das notícias. Economia e Política Internacional, mais pesados; cultura e entretenimento, mais leves. Tudo ainda muito superficial.
Nesse quesito, portais como Yahoo e Google saíram na frente das empresas jornalísticas. O Google News e o My Yahoo funcionam como agregadores de conteúdos de seus próprios concorrentes. Eles permitem que o leitor construa sua própria página, podendo escolher desde a cor até as notícias e reportagens. Em geral, de outros sites.
As ferramentas da personalização são inúmeras. Além do mapeamento da navegação - semelhante aos cartões de vantagens, só que em vez de compras, rastreiam-se os clicks do usuário - e das recomendações sociais, existe a possibilidade de utilizar as redes sociais como critério. O Facebook, o "Orkut dos americanos", já começa a receber aplicações produzidas por jornais que hierarquizam notícias a partir do que "seus colegas estão lendo".
O pesquisador Dominique Wolton, porém, alerta para os riscos da segmentação e personalização excessivas. Para ele, os mass media funcionam como cimento social. Todos discutindo os mesmos assuntos acaba proporcionando uma integração. O problema é que os novos meios podem levar à individualização. Além disso, corre-se o risco de uma espécie de encerramento temático. As pessoas podem passar a ler só o que já conhecem, sem abertura para novidades.
Esse assunto rende. Dê seu palpite aí nos comentários.
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